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A influência de James Brown na África em 19 músicas

Ramiro Zwetsch

15/11/2018 13h15

O fenômeno James Brown nos anos 60 e 70 reverberou em todo o planeta – no Brasil, por exemplo, foi uma influência direta para o movimento Black Rio. A combinação de uma música com potencial dançante e afirmação da mensagem de orgulho negro causou alvoroço na África e, naturalmente, inspirou a produção musical do continente. A Radiola Urbana reúne aqui 19 faixas que mostram o impacto dessa referência no afro-funk de Gana, Nigéria, Serra Leoa, Quênia, Benin, Etiópia, Costa do Marfim, Congo e Mali. A seguir, você confere uma playlist no spotify com 15 músicas e 4 links do youtube com outros exemplos.

– Orlando Julius (Gana): "Ijo Soul", "James Brown Ride On" e "In The Middle"
Um dos arquitetos do afrobeat, Orlando Julius estreitou relações com o norte-americano em uma de suas turnês pelo continente na década de 1970 e esta afinidade esta explícita em pelo menos três gravações. "Ijo Soul" tem elementos no arranjo que são claramente associados aos clássicos "I Feel Good" e "Papa's Got a Brand New Bag". "James Brown Ride On" é uma composição que celebra a visita do seu ídolo à África. Já "In The Middle" é uma regravação de 2014 do africano para uma composição de Brown. Os dois estão juntos na foto de arquivo que ilustra este post.

– Victor Olaya (Nigéria): "Things Got To Get Better", "Mother Popcorn" e "Cold Sweat"
Três versões para hits de Brown gravadas por Victor Olaya, importante artista nigeriano que incorpora influências do funk ao highlife local na virada dos anos 60 para os 70.

– Geraldo Pino (Serra Leoa): "Born to be Free" e "Power to the People"
Influência fundamental para Fela Kuti, Geraldo Pino repetia alguns dos trejeitos vocais e estruturas de arranjos consagrados por Brown. Em "Born to be Free" é evidente a referência ao norte-americano na introdução da música, em que Pino é apresentado por um locutor ou outro integrante da banda – exatamente como acontecia com o norte-americano quando subia ao palco. Já em "Power to the People" a referência está na letra, no jeito de cantar e em uma parte do arranjo em que os outros instrumentos silenciam para destacar o groove de bateria.

– Matata (Quênia): "I Feel Funky" e "Talkin' Talkin'"
O álbum "Independence", de 1974, é um dos clássicos do afro-funk e todo impregnado pela influência de Brown. As duas faixas selecionadas são as mais explícitas. Em "I Feel Funky", o vocalista até usa os bordões clássicos "good god!" e "to the bridge", repetidos à exaustão pelo norte-americano em suas gravações.

– El Rego (Benin): "Achuta" e "Djobime"
El Rego é um dos artistas do Benin que mais evidenciam influência do godfather of soul, sobretudo no jeito de cantar e no uso dos gritos característicos que emulam o estilo de Brown.

– Tesfa-Maryam Kidané (Etiópia): "Yètèsfa Tezeta"
Com arranjo do herói do jazz etíope Girma Bèyènè, esse hit instrumental de 1969 traz clara referência a "I Feel Good".

– The Sumo Brothers (Costa do Marfim): "I Love Music"
Essa faixa é uma dançante homenagem aos heróis da música negra dos anos 60 e 70. Vários artistas são citados: Jimi Hendrix, Myrian Makeba, Manu Dibango, Fela Kuti, Curtis Mayfield, Bob Marley, Jimmy Cliff, Donna Summer, James Brown, entre muitos outros.

– The Funkees (Nigéria): "Slipping into Darkness"
Uma das bandas mais populares de afro-funk na Nigéria na década de 70, a The Funkees faz aqui uma versão para outra entidade do funk norte-americano, a banda War.

– African Fiesta Sukisa (Congo): "I Got The Feelin'"
Mais uma versão para um clássico de Brown, aqui com sotaque e suingue congoleses.

– Les Ambassadeurs Du Motel de Bamako (Mali): "Make It Funky" e "Get Up James"
Sucesso no Mali nos 70, a Les Ambassadeurs Du Motel de Bamako era uma atração para os turistas que frequentavam o hotel que dá nome à banda. James Brown era uma referência óbvia e essas duas faixas não deixam dúvidas: além de uma regravação para o hit "Make It Funky", "Get Up James" é uma ode à obra do norte-americano com uma introdução que remete à famosa "Sex Machine".

– D'Almeida Blucky et Les Black Santiago de Cotonou (Benin): "Les Nanes"
Afro-funk do Benin com clara referência ao estilo vocal e à estrutura instrumental de Brown. O vocalista, inclusive, usa um dos famosos bordões do norte-americano que é o grito-canto em que pronuncia de forma entusiasmada a palavra "popcorn".

Sobre o autor

Ramiro Zwetsch é jornalista, DJ residente da festa Entrópica, sócio da Patuá Discos e criador do site Radiola Urbana. Foi editor-chefe dos programas "Manos e Minas" e "Metrópolis", repórter de música do Jornal da Tarde e colaborou para "Ilustrada", "Caderno 2", “Bravo!”, “Rolling Stone”, “Bizz”, “Carta Capital”, “Select” entre outros.

Sobre o blog

Divagações e reflexões sobre as maravilhas contemporâneas e pérolas negras da música Brasil adentro e mundo afora.